A Bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta bem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Cecília Meireles, Ou Isto, ou Aquilo, 1964

Dia Mundial da Dança

Quando dançam, os seres humanos por vezes transportam-se para o reino do sobrenatural. A música e o movimento combinados fundem o corpo e a mente elevando-os a um estado superior. Este êxtase liberta-se, estende-se profundamente na dimensão interior da pessoa, unindo-a ao universo.

Por vezes, os coreógrafos no ato de criação conseguem produzir no espectador uma conexão com o sagrado, o esotérico, o desconhecido. Além da recriação e da arte, a dança torna-se um instrumento de consciência elevada, uma busca pelo significado último. A coreografia transporta-nos para além do observável, do experimentável e do conhecido.

Deliades – ninfas dançantes da ilha de Delos, na Grécia antiga. Devadasis – assistentes do templo preservando as tradições clássicas Bharatanatyam e Odissi na Índia. Dervixes Sufi – seguidores do poeta persa Rumi, com a sua dança rodopiante. Sacerdotes astecas “cantando com os pés” no México pré-hispânico. A espiritualidade sempre esteve presente na dança.Continue reading →